Faz mais ou menos um ano, assistindo um video sobre marketing digital, surgiu esse questionamento: você faz formação ou gera resultados? Claro que era uma provocação, a pessoa estava interessada em chamar a atenção para o jeito de falar no video, e nos textos de formação. O fato é que eu me senti provocado e fui a fundo nessa questão. É sobre isso que quero falar com você hoje.

De tempos em tempos eu tenho uma certa crise. Uma crisinha, nada grave. Ela aliás é esperada por mim com ansiedade. Eu gosto desses momentos onde me vem um questionamento interno, porque é nesses momentos que eu me reinvento, crio coisas novas, surgem novos desafios para serem superados.

A crisinha que veio com a provocação do cara do video foi essa: e aí? Dessas mais de 20 mil pessoas que formei nesses anos todos, quantos será que conseguiram resultados concretos?

Eu sei que muitos não conseguiram, não tenho a expectativa de gerar mudanças significativas em 100% das pessoas que passam pelos meus cursos.

Eu inclusive consigo descobrir quais as pessoas que saem pilhadas para implementar as coisas que acabam de descobrir. Assim como vejo aquelas que estão tão perdidas com a novidade que vão demorar um pouco pra assimilar tudo e talvez acabem não implementando nada.

A minha questão agora é: quanto será que uma boa formação, seja minha, seja de quem for, consegue gerar resultados concretos? E o que devemos fazer, como formadores, para que isso ocorra no maior percentual possível de execução?

Eu acho que influenciei, através de formação, mais de mil ONGs. Mas poderia ter influenciado 20 mil, se estivesse mais atento em desenvolver ferramentas de implementação imediata, simplificadas, mensuráveis, que gerassem resultados muito claros. Isso estimularia esses alunos a querer conseguir mais doações, fazer mais, aprender mais, em espiral ascendente, entende?

Minha crisinha me fez ficar desapontado comigo mesmo. Milhares de pessoas passaram por mim e foi insuficiente, foquei demais em formação, de menos em resultados.

No começo, faz 20 anos, nas minhas primeiras aulas, eu tinha dezenas de slides cheios de gráficos. Aquilo me fazia sentir importante, estudioso, rebuscado. Fazia comparações desnecessárias, dados de outros países, tudo pra mostrar como eu era sabido. Com o tempo, fui largando pra lá esse modelo de slide.

Uma época, no final dos 90, formei através do Senac 500 ONGs de base, com lideres comunitários semi analfabetos. Gente preciosa, especial, inteligente, mas que não sabia fazer regra de 3, alguns não sabiam escrever uma frase.

Aquele desafio foi genial pra mim. Remodelei todas as minhas aulas, tirei tudo que fosse complicado. Aquilo tinha que ser entendido por uma criança de 12 anos (ou um lider comunitário semianalfabeto) ou não servia. Pois bem, são os slides que uso até hoje e todo mundo, inclusive eu, entende e gosta.

Eu acho que fiz a diferença pra alguns daqueles lideres comunitários. Mas eu acho que poderia ter feito mais, pra vários outros líderes… Crisinha, ainda…

Mais recentemente tenho feito cursos diferentes, onde dividimos a formação em módulos, mesclamos com alguma mentoria à distancia, tem apresentação do plano de captação entre alunos e finalizamos com uma clareza dos primeiros passos.

Eu estava satisfeito com esse modelo até o ano passado. Fizemos isso nas santas casas do interior do estado, com ONGs em Floripa, Sorocaba e mais recentemente um grupo ótimo em Córdoba, na Espanha.

Também desenvolvi um curso totalmente à distância com gente do Brasil inteiro, coach individual e grupo secreto no Facebook. Um sentido de comunidade que ajuda muito no processo.

Mas o cara que me gerou a crisinha ainda me cutuca, mesmo um ano depois. Mesmo sendo um formato novo, esse modelo sendo mais presente, modular, participativo, ainda assim tem algo que me provoca a querer mexer. Qual o resultado?

Porque se o resultado é ter um plano de captação, ok. Check. Fazemos bem isso. Mas o resultado não deveria ser a captação em si? Não estou dizendo de fazer a captação para a ONG, mas de formar alguém de tal forma que ela saia captando desde o primeiro dia.

Minha intenção é fazer a diferença pra milhares de ONGs, de novo. Para isso, junto com parceiros, existem cursos ótimos, artigos interessantes, reportagens e uma comunidade começando a interagir. Mas e aí? Quanto isso gerará a mais de dinheiro para essas organizações? Quanto elas conseguirão?

A pergunta não é retórica, assim como não se trata de uma crítica e sim de: como formar para resultados?

Faz um ano, eu tive a crisinha, mas acho que também cheguei num mapa pra seguir andando: remodelei completamente meus cursos. Agora foco em formação para resultados.

E daí surgiu também um curso especial, piloto, onde eu não sabia qual seria a receptividade. Eu ofereci formação para que outros empreendedores também pudessem oferecer resultados para ONGs. Abri as vagas para 30. Vieram 44.

E hoje, 12 deles fazem parte da Estraviz e Associados. São formados, certificados, trazem experiência prévia e um método, o que usei durante mais de 20 anos.

Eles são agora os protagonistas, pois conseguem muito mais do que eu sozinho. E tudo isso é só o começo.

abraço fraterno,

Marcelo Estraviz